quinta-feira, 2 de junho de 2011

Quando eu morrer











Quero-te perto ao morrer
Cheio de doçura e esplendor,
Abrir os olhos pra te ver
E morrer depois de amor,
Só de sentir teu calor,
Teu olhar entristecer.

A tua voz quero ouvir
Como hino secular
E depois, irta, cair
Só por te ouvir implorar,
Por te ouvir gemer, chorar,
Ao veres-me quase a partir.

Quero sentir tua mão
Dizer-me adeus com piedade
Por já sentir a solidão.
E despedir-me com saudade,
Ao lembrar a mocidade,
Os tempos que já lá vão.


(15-5-1996)

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Os teus olhos











Teus olhos de lince,
Rasgados, ousados e sedosos,
São como a chuva da manhã
Que refresca o campo e lava
A fofa terra de impuresas,
De maldades e de odios.

Assim como a tua boca,
Eles são o agasalho que me aquece
No Inverno, que me protege
E me acolhe em horas más
E que me fazem renascer para o Verão.

Esses olhos que levo comigo ao deitar
E que me acordam ao amanhecer
São a minha desgraça de tão doces,
São a minha virtude de tão puros,
São a minha vida a acontecer.


(11-4-1996)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Sempre que penso em ti











Sempre que penso em ti
Lágrimas caiem-me duas-a-duas,
As aves cantam saudades tuas,
E choram por mim em todas as ruas,
Sempre que penso em ti

Sempre que penso em ti
Grandes vendavais se levantam,
Todos os anjos do céu cantam,
E todos os homens na terra espantam
Por me ver pensar em ti.

Sempre que penso em ti
Viúvas choram o seu tormento,
Caiem-lhes lágrimas a todo o momento!
Sempre que me vens ao pensamento,
Sempre que penso em ti.


(3-5-1996)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Aquele dia...









Antes???
... Antes tudo era um nada
Sem razão, sem vontade.
A vida era querida
Mas, mais paredida
Com uma meia verdade

Depois??
... Ah, depois daquele dia!
O mar deu-me uma imensa alegria,
A alegria daquele doce “sim”.
E tu...deste-me o sossego, o calor,
A paixão eterna, o amor,
A felicidade sem fim.


(1-5-1996)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Aurora










Quanto tempo demora
A amanhecer o dia,
Pra chegar a aurora
Que há tanto dormia?

Quando será que chega a luz do sol?
Quando vai embora esta escuridão medonha?
Quando será que um pássaro canta em Si bemol
A canção que a todos encanta e ensonha?

Isso não sei...mas imagino
Que a trará um amor muito grande,
Que por sina ou destino
Se agarra a mim e se expande.

E se algum dia descobrires
Que essa amor é forte,
Não o deixes ir-se, porque
É mais poderoso que a morte.


(22-4-1997)