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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O príncipe encantado

Adoro este texto e por vezes acho que é mesmo verdade:

«Se está à espera do Dia dos Namorados para arranjar um, não fique sentada. Faça como uma amiga minha que cada vez que sai do carro, vira o retrovisor para o lado do condutor, retoca o batom e diz com uma convicção demolidora que o Príncipe pode estar em qualquer lado. E pode mesmo. É uma questão de fé, totalmente arbitrária e aliatória, mas pode acontecer. Até porque nós, os extraordinários, somos poucos, mas andamos por aí. Isto é o que diz outro amigo meu que por acaso é mesmo extraordinário e já encontrou a pessoa certa, pelo menos por enquanto. Foi ele que um dia me explicou o que era esse maravilhoso conceito da pessoa certa.
A pessoa certa não é a mais inteligente, a que nos escreve as mais belas cartas de amor, a que nos jura a paixão maior ou nos diz que nunca se sentiu assim. Nem a que se muda para nossa casa ao fim de três semanas e planeia viagens idílicas ao outro lado do mundo. A pessoa certa é aquela que quer mesmo ficar connosco. Tão simples quanto isto. Às vezes demasiado simples para as pessoas perceberem. O que transforma um homem vulgar no nosso príncipe é ele querer ser o homem da nossa vida. E há alguns que ainda querem.
Os verdadeiros Príncipes Encantados não têm pressa na conquista porque como já escolheram com quem querem passar o resto da vida, têm todo o tempo do mundo; levam-nos a comer um prego no prato porque sabem que no futuro nos vão levar à Tour d’Argent; ouvem-nos com atenção e carinho porque se querem habituar à música da nossa voz e entram-nos no coração bem devagar, respeitando o silêncio das cicatrizes que só o tempo pode apagar. Podem parecer menos empenhados ou sinceros do que os antecessores, mas aquilo a que chamamos hesitação ou timidez talvez seja apenas uma forma de precaução para terem a certeza que não se vão enganar.
O Príncipe Encantado não é o namorado mais romântico do mundo que nos cobre de beijos; é o homem que nos puxa o lençol para os ombros a meio da noite para não nos constiparmos ou se levanta às três da manhã para nos fazer um chá de limão quando estamos com dores de garganta. Não é o que nos compra discos românticos e nos trauteia canções de amor no voice mail, é o que nos ouve falar de tudo, mesmo das coisas menos agradáveis. Não é o que diz Amo-te, mas o que sente que talvez nos possa amar para sempre. Não é o que passa metade das férias connosco e a outra metade com os amigos; é que passa de vez em quando férias com os amigos. O Príncipe que sabe o que quer, não é o melhor namorado do mundo; é o marido mais porreiro do mundo, porque não é o que olha todos os dias para nós, mas o que olha por nós todos os dias. Que tem paciência para os meus, os teus, os nossos filhos e que ainda arranja um lugar na mesa para os filhos dos outros. Que partilha a vida e vê em cada dia uma forma de se dar aos que lhe são próximos. Que ajuda os mais velhos a fazer os trabalhos de casa e põe os mais novos a dormir com uma história de encantar. Que quando está cansado fica em silêncio, mas nunca deixa de nos envolver com um sorriso. Não precisa de um carro bestial, basta-lhe uma música bestial para ouvir no carro. Pode ou não ter moto, mas tem quase sempre um cão. Gosta de ler e sai pouco à noite porque prefere ficar em casa a namorar e a ver o Zapping. Cozinha o básico, mas faz os melhores ovos mexidos do mundo e vai à padaria num feriado. O Príncipe é um Príncipe porque governa um reino, porque sabe dar e partilhar, porque ajuda, apoia e nos faz sentir que somos mesmo muito importantes.
Claro que com tantos sapos no mercado, bem vestidos, cheios de conversa e tiradas poéticas, como é que não nos enganamos? É fácil. Primeiro, é preciso aceitar que às vezes nos enganamos mesmo. E depois, é preciso acreditar que um dia podemos ter sorte. E como o melhor de estar vivo é saber que tudo muda, um dia muda tudo e ele aparece. Depois, é só deixa-lo ficar um dia atrás do outro... e se for mesmo ele, fica.»


Margarida Rebelo Pinto, em: Vou contar-te um segredo

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Os teus olhos











Teus olhos de lince,
Rasgados, ousados e sedosos,
São como a chuva da manhã
Que refresca o campo e lava
A fofa terra de impuresas,
De maldades e de odios.

Assim como a tua boca,
Eles são o agasalho que me aquece
No Inverno, que me protege
E me acolhe em horas más
E que me fazem renascer para o Verão.

Esses olhos que levo comigo ao deitar
E que me acordam ao amanhecer
São a minha desgraça de tão doces,
São a minha virtude de tão puros,
São a minha vida a acontecer.


(11-4-1996)

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O meu amor

O meu amor
é um tudo espremido em nada. É pouco mas um pouco de tudo, é muito mas insuficiente.
O meu amor
é magro e alto mas forte, é feio mas encantador, de nariz demasiado comprido e de traços angulosos.



O meu amor
tem faces ruborizadas pela timidez que escondem uma palidez indesejada.
O meu amor
é leite... eu sou chocolate!

O meu amor
é cinema, é música, é história de encantar.
O meu amor
é de poucas falas mas de boa conversa, é meigo mas delicadamente bruto, é praia, é mar e dias de sol.

O meu amor é culto, é esperto mas demasiado distraído para perceber quanto o amo.


O meu amor
não me manda mil flores, talha a mais bela do jardim do vizinho mas diz-me que a plantou propositadamente pra mim.
O meu amor
não me manda mil cartas mas dita-mas no silêncio possível entre duas pessoas que se amam.

O meu amor
não me dá mil prendas mas tem sempre uma surpresa (nem que seja um caramelo ou um pacote de açúcar da Nicola).
O meu amor
não me telefona a todas as horas, nem me escreve telegramas de cinco páginas, mas não vai dormir sem me desejar uma "boa noite" ou sem dizer o quanto me ama.



O meu amor
não me diz o quanto sofre por não me ver (quando fisicamente separados) mas fá-lo pressupor na ausência de palavras, no tom de voz, nas palavras de duplo sentido.
O meu amor mima-me!
E pra que serve o amor se não pra nos mimar?! Pra nos fazer sentir suficientemente grandes para enfrentar as mesquinhas mediocridades do dia-a-dia?!

O meu amor
ama-me, e é tudo!! E nada é mais saboroso do que o feed-back amoroso, do que um amor correspondido!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

SEGUE-ME!

(Uma história de amor que não tem nada de estranho) - José Campanari


Era uma vez uma selva onde vivia um elefante gordo e cinzento, com uma tromba comprida, duas orelhas enormes, um rabo pequenino, quatro patas curtas... um elefante com pintas lilases que nada tinha de estranho!
Todas as tardes de Primavera, o elefante sentava-se à beira do caminho das formigas para as ver passar. Pela manhã, as formigas saíam do formigueiro e, à tardinha, regressavam carregadas de coisas que encontravam por aqui e por ali. As formigas eram escuras, tinham um par de antenas, três pares de patas... caminhavam ao mesmo ritmo, umas atrás das outras: pareciam todas iguais! Mas de tanto observá-las, numa tarde de muito calor, o elefante descobriu uma formiga negra com cintura de vespa que o deixou pasmado. Desde então ia só pra vê-la.

Quando o Verão estava quase a terminar o elefante deu-se conta que não voltaria a ver a formiga até ao Inverno passar. Então vestiu um fato aos quadrados com um casaco de botões, e sentou-se à espera da formiga negra para lhe declarar o seu amor (o fato ficava-lhe apertado porque tinha engordado, mas não se importava com isso). A formiga, que já tinha notado os olhares do elefante, transportava uma folha que dizia: SEGUE-ME!

O elefante, nem lento nem preguiçoso (porque estava contente), seguiu-a.

A formiga caminhava, o elefante caminhava... E, anda que anda, chegaram à porta de um formigueiro.

Quando todas as formigas entraram, o elefante também entrou (primeiro a tromba, a seguir o resto do corpo)... e caiu mesmo no meio do formigueiro (por sorte, as formigas já estavam todas nos seus quartos e assim não esmagou nenhuma). O elefante olhou para as portas mas eram todas iguais. Então, como se fosse um tapete, viu uma folha que dizia:

SEGUE-ME...
SEGUE-M...
SEGUE...
SEG...
SE...
S...


E a folha desapareceu por debaixo da porta!

Sem pensar duas vezes, o elefante abriu a porta e viu... um caminho longo (com o horizonte ao fundo), contornado por árvores. E mesmo no meio do caminho, estava uma formiga negra com uma folha, que dizia: SEGUE-ME!

O elefante, nem lento nem preguiçoso (porque estava muito contente), seguiu-a.

A formiga caminhava, o elefante caminhava...

De súbito, um botão do casaco do elefante saltou pelo ares. Nem lento nem preguiçoso (porque era o botão que lhe tapava o umbigo), procurou debaixo das pedras, os ramos das árvores... Cansado de procurar e procurar, voltou ao caminho para reencontrar a formiga. Olhou à direita, à esquerda, em frente, atrás... e percebeu que ela já não estava ali.

Lento e preguiçoso (porque estava um bocadinho triste), continuou a andar, fixando o chão.

De repente a tromba encalhou em algo que estava debaixo de uma árvore... Um cesto de costura! Sem pensar duas vezes, o elefante levantou a tampa e viu agulhas, linhas, tesoura, dedal... e, mesmo no meio de tudo, um botão que se movia em direcção ao fundo do cesto. Em vez de buracos, o botão tinha um letreiro que dizia: SEGUE-ME!

Com o seu fato de três botões, o elefante entrou no cesto (primeiro a tromba, depois o resto do corpo).
Nem lento nem preguiçoso (com cuidado para não se enlear nas linhas nem picar-se nas agulhas), chegou ao fundo do cesto de costura e encontrou...

um caminho longo (com o horizonte ao fundo), contornado por árvores de carrinhos de linha... e, mesmo no meio do caminho, uma formiga com um botão que dizia: SEGUE-ME!



A formiga caminhava, o elefante caminhava...

Pouco depois, o elefante, que tinha muita sede, decidiu procurar uma fonte (não sabendo que no fundo dos cestos de costura não existem essas coisas). Cansado de procurar e procurar, regressou ao caminho para reencontrar a formiga. Olhou à direita, à esquerda, em frente, atrás... e percebeu que ela já não estava ali. O elefante continuou a andar, fixando o céu; logo, pendurada num ramo de uma árvore, encontrou... uma garrafa de água!

O elefante, nem lento nem preguiçoso (porque tinha sede), apanhou a garrafa e dentro dela viu... uma formiga negra!, com um fato de banho amarelo, óculos de mergulhar, touca, três pares de barbatanas e um letreiro que dizia: SEGUE-ME!

Sem pensar duas vezes, o elefante entrou na garrafa (primeiro a tromba, depois o resto do corpo), e começou a nadar atrás da formiga subindo a tromba, de vez em quando, para respirar.

A formiga nadava, o elefante nadava...

Como nunca tinha estado numa garrafa, o elefante distaiu-se com tudo o que passava a flutuar: um peixe-borboleta, uma borboleta-caracol, um caracol-rã... Entretanto, o elefante lembrou-se da formiga. Olhou à direita, à esquerda, em frente, atrás... e percebeu que ela já não estava ali.

Lento e preguiçoso (porque estava muito triste), mergulhou atá ao fundo da garrafa e sentou-se numa rocha.

Então aproximou-se um caracol marinho. Apanhou-o e encostou-o à orelha... Do fundo daquele caracol, não chegava o som do mar, mas uma voz distante que dizia: SEGUE-ME!

O elefante, nem lento nem preguiçoso (porque estava muito apaixonado), entrou no caracol marinho (primeiro a tromba, depois o resto do corpo). E dando voltas e mais voltas, chegou até ao fundo, onde o esperava aquela formiga negra com cintura de vespa.

Desde esse dia...

no fundo de um caracol marinho,
que está no fundo de uma garrafa,
que está à beira de um caminho,
que está no fundo de um cesto de costura,
que está no quarto de uma formiga,
que está num formigueiro no meio da selva...

...uma formiga negra e um elefante cinzento vivem uma história de amor (com cintura de vespa e pintas lilases) q nada tem de estranho!



(Toda esta história, pra dizer que: por mais inconsequente, impossível e anatomicamente inadequado que seja um amor; por mais difícil que seja seguir a pessoa amada aos sítios mais impensáveis ou transpor os limites que esse amor impõe aos "amados"; há realmente amores que valem a pena!)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Saudade

"Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida..."




Saudade!! Saudade é o que me aflige neste momento. Sinto a falta dos longos beijos molhados de arrancar a alma, dos abraços protectores e envolventes e do cheiro a "menino da mamã". Sim! Desse cheiro que te devolve o ar inocente que há muito tempo perdeste!
Sinto a falta até de não me sentires a falta, quando tudo ainda era possível. Sinto a falta da conversa fácil e agradável que sabes ter. Da música que são tuas palavras, quando estás de bom humor e disposto a fazer livre o teu coração.
Onde andas? Em que becos te escondes? O que esperas?
Vem, que o tempo urge e o desejo consome-se com ele! Afasta de mim esta saudade que me desgasta a alma e oprime o coração.

segunda-feira, 29 de março de 2010

A química e os sentimentos.

Já muitas vezes me perguntei o que acontece na minha cabeça (e na da maioria das pessoas) pra me apaixonar por pessoas que em nada se parecem comigo e com objectivos de vida tão diferentes dos meus. Depois de 1000 neurónios queimados a pensar sobre o assunto, acho que muito mais do que sentimental, o processo de selecção é regido por reacções químicas que não conseguimos explicar, muito menos controlar.

Então, quem tem culpa das minhas constantes desilusões amorosas? A culpada é a OXITOCINA que estimula a união entre as pessoas, a criação de laços estreitos. "Segundo um estudo realizado por uma equipe de cientistas da universidade de Pisa (Itália) em 2006, enquanto nos primeiros momentos do relacionamento abunda um elemento químico chamado neurotrofina, que provoca o desejo, com o passar do tempo essa substância cede espaço ao hormônio chamado oxitocina". Ou seja, encantamo-nos por uma pessoa por causa da neurotrofina e passamos a amá-la por culpa da oxitocina. E eu que nunca fui boa aluna na disciplina de QUÍMICA!!

Tudo acontece assim: No momento em que olhamos pra uma pessoa, notamos que uma energia de atracção oferece uma sensação muito boa, muitas vezes relacionada com estímulos visuais e odoríferos; nesse momento percebemos que essa pessoa é especial, mesmo sem tê-la beijado. Quando nos vemos, nosso coração bate mais forte; nossos olhares se encontram e sentimos essa energia, então entendemos que é a famosa "Química" entre pessoas do sexo oposto.
O que determina, no meio de centenas e milhares de pessoas, sermos atraídos exactamente por aquele homem ou aquela mulher? Somos atraídos muitas vezes por pessoas que fogem aos nossos padrões de beleza. Tanto que, às vezes, até nos perguntamos: o que é que eu vi nele (a)? As hormonas são quase sempre as responsáveis por esta atracção; sem nos apercebermos o nosso corpo emana odores imperceptíveis ao nosso olfacto mas que o nosso cérebro reconhece e que muitas vezes são fatais para o enamoramento. O problema é que, mesmo quando a química não é imediata, basta um beijo para (como eu costumo dizer) nos roubar a alma (certo Susana?).

Esta química, mas numa versão mais "soft", também acontece no que toca às amizades. Nunca vos aconteceu criarem empatias instantâneas? Pensarem "eu sempre gostei dele/a" ou "nunca fui com a cara dele/a"? A mim acontece-me muitas vezes e raramente me engano com as primeiras sensações sobre as pessoas pois, afinal, é tudo uma questão de química.
Acontece como um amor à primeira vista mas na vertente do carinho (Não é Sandrinha? Não é Cat? Não é Anokas). Sem termos muita convivência com uma pessoa, sentimo-nos por vezes capazes de lhe confiar os mais íntimos segredos, as mais tumultuosas dúvidas, os medos mais precistentes. Gostamos daquela pessoa e pronto. O Carinho por aquela pessoa instala-se. E o que é o carinho, afinal? É a tal química mais "soft". É um devaneio de meiguice que se pode sentir e que se sente por muita gente. O carinho troca-se com o número de pessoas que se quiser, e que quiserem. Nasce graças a um nadinha (muito certamente à química) e vive de suaves vínculos entre as pessoas. No fundo, o Carinho é um amorzinho que se tem por quem não se ama realmente, por quem se sente amizade, por quem se respeita e admira.
Concluindo, porque preciso de descansar os neurónios antes que queime mais algum, o carinho resulta da química entre pessoas do mesmo sexo ou entre pessoas do sexo oposto que não queremos ou não podemos amar.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Ne me deixes...




Gosto muito desta música e acho esta versão muito interessante, diferente de todas as outras.
(tradução possível pq o meu francês n é dos melhores)


Não me deixes.
Devemos esquecer, tudo o que passou pode ser esquecido,
Esquecer os tempos dos mal-entendidos e os tempos perdidos
Tentando saber como.
Esquecer as horas que às vezes mataram
Com sopros de porquê, coração de felicidade,
Não me deixes, não me deixes, não me deixes!

Eu vou oferecer-te pérolas de chuva
Que vêm dos países onde não chove.
Eu vou cavar a terra até à minha morte
Para cobrir o teu corpo de ouro e luzes.
Eu farei uma terra onde o Amor será Rei
Onde o Amor será Lei e onde tu serás Rainha.
Não me deixes, não me deixes, não me deixes!

Não me deixes.
Eu inventarei palavras sem sentido
Que tu compreenderás.
Eu te falarei sobre os amantes
Que viram duplamente
Seus corações incendiar-se
Eu te contarei a história deste rei
Morto por não poder reencontrar-te.
Não me deixes, não me deixes, não me deixes!

Nós frequentemente vemos
renascer o fogo, do vulcão antigo
Que pensámos estar velho demais.
Mostrou-nos, em terras que foram queimadas,
nascendo mais trigo do que no melhor Abril.
E quando vem a noite com um céu flamejante
O vermelho e o negro não se casam.
Não me deixes, não me deixes, não me deixes!

Não me deixes.
Eu não chorarei mais, eu não falarei mais.
Eu me esconderei lá pra te contemplar
A dançar e a sorrir,
E pra te ouvir cantar e então rir.
Deixa que eu me torne
A sombra da tua sombra, a sombra da tua mão,
A sombra do teu cão.
Não me deixes, não me deixes, não me deixes!

Não me deixes, não me deixes, não me deixes!

N me deixes...



Jacques Brel

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Dois grandes duetos

Duas vozes muito boas...



... e outras duas ainda melhores!



Resumindo, um cheirinho a Carnaval pra abrir o apetite.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Afinal, o que querem as mulheres dos seus homens?!


Há muito tempo que esta pergunta me inquieta e já pensei muito sobre o assunto mas nunca cheguei a uma resposta definitiva. Este fim de semana falei sobre isto e assim, depois de muito pensar, investigar e perguntar às mulheres com quem vou convivendo, cheguei à conclusão que (à excepção de uma ou outra qualidade mais específica) todas a mulheres querem o mesmo de um homem:
O que nós queremos (todas sem excepção) é que eles sejam bonitos e atléticos (embora esta não seja uma condição fundamental). Muitas dizem que isso não é importante, o que é certo é que se um homem não nos agrada à primeira vista, dificilmente nos aproximaremos para o conhecer melhor. A condição fundamental, aquela que em boa verdade mais nos cativa, é q os nossos homens nos amem muito; muito mas não demasiado, pra não enjoar(e, já agora, que não tenham vergonha nem medo de o dizer). O que nós queremos em 2º lugar, é que os nosso homens nos entendam e que nos ouçam com muita atenção, mesmo que não tenham muito interesse na nossa conversa mas fingindo ter. Não precisam de estar sempre a trazer-nos flores (até pq isso torna o gesto vulgar!) mas devem procurar-nos, fazer um carinho na nossa cara ou no ombro, dar-nos a mão no cinema ou pousar a mão na nossa coxa (basta apenas pousar) por debaixo da mesa ou quando estão a conduzir, coisa de quem se sabe dono absoluto do nosso coração e do nosso corpo; só faz isso um homem seguro, que é o que todas queremos!
Por outro lado, é preciso que eles perguntem a nossa opinião, tal como: Que vestir em determinada ocasião, se gostamos daquele perfume, por qual dos carros se decidir, mesmo que acabem por fazer o que querem sem dar muita importância à nossa opinião. Mas também é preciso que às vezes fiquem quietos, calados, sem nos dar muita importância, para nos deixarem bem inquietas e a imaginar os pensamentos deles. O que me parece, é que uma mulher não pode _ NUNCA! _ sentir-se demasiado segura, nem demasiado insegura. Tem que ser no ponto certo ou perde o interesse. O ponto certo é a questão! Este equilíbrio tão difícil de atingir e que só um homem inteligente consegue! Para isso, é preciso que o nosso homem tenha um pouco de sensibilidade (o q é raro!). A sensibilidade para sentir quando precisamos de um carinho, de um "amasso" ou, simplesmente, de ficar em silêncio. Tem também de ser capaz de, no fim de uma zanga, dizer "vem cá sua tola", de nos aninhar entre os seus braços e depois esquecer tudo o q estava a dizer. Ai... quem me dera ter um homem destes!
Eles nem precisam de nos ajudar a lavar os pratos ou a arrumar a cozinha, essas coisas nós fazemos bem, quando amamos (se bem que uma ajuda vem sempre a calhar - só ajuda a relação). Mas a cada 5 minutos o nosso homem pode perguntar, enquanto vê o futebol sem tirar os olhos da televisão, se ainda falta muito para nos sentarmos a seu lado, pedir para lhe levarmos uma cerveja e dizer "vem sentar-te ao meu lado para ver o jogo". É claro que, na maioria das vezes, nós não estamos minimamente interessadas no jogo mas, só o saber que eles precisam de nós ali ao pé, é tudo o que precisamos para ser felizes. E quando a equipa deles marcar golo e eles comemorarem abraçando-nos e beijando-nos muito, sermos solidárias e mostrarmos que estamos tão felizes como se tivéssemos acabado de ganhar o mais lindo vestido de Valentino.
A hora de ir para a cama é, sem sombra de dúvidas, muito importante: mesmo que eles estejam na cama a trabalhar, a estudar ou a ler Banda Desenhada, é fundamental que eles ponham a perna por cima da nossa para que sintamos que, aconteça o que acontecer, eles estarão sempre ligados a nós. E um homem que quer ser amado não pode jamais _ mas jamais! _ depois de apagar a luz do candeeiro, virar-se de costas pra dormir; isso é como um crime que mulher nenhuma perdoa. E quando, já no escuro, ele faz um carinho na nossa cabeça e se encaixa _ não há mulher que resista a um homem que se saiba encaixar bem _ aí é que nós sentimos a felicidade total e pensamos que é aquele homem, aquele e nenhum outro, que nos pode fazer felizes.
É só isso que queremos dos homens. Não é pedir muito, pois não? lol

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Apaixonar-se!!

Há pessoas que adoram apaixonar-se. Por qualquer coisa (por um objecto, por uma ideia ou ideal...) e a propósito de qualquer coisa. Porque é Primavera ou porque estamos no bucólico Outono, a propósito de uma viagem a um local distante ou por causa da permanência no mesmo sítio... Eu sou uma dessas pessoas (mais moderada, é certo) que acha que a paixão faz mover montanhas e que, num gesto de paixão, se cria energia cinética suficiente para fazer girar o mundo.
Assim, quem gosta de se apaixonar, acaba por ter uma filosofia própria sobre o assunto referindo muitas vezes essa força, essa energia, o impulso que o descobrir alguém lhe traz à vida, o sentido acrescido que cada nova paixão lhe dá, o bom que é ter alguém pra partilhar ideias, aventuras e projectos, a alegria dessa cumplicidade, e o mau que é não ter com quem o fazer.
Mas também há os que pensam ao contrário, que detestam envolver-se, perder o controlo, e que consideram a paixão um perigo iminente de vida ou de desagregação. Estas pessoas temem fazer e dizer coisas que não são supostas nem desejáveis para quem gosta der ter a vida "geladamente" controlada. Isto além de, claramente, detestarem sentir a angústia da perda antecipada do seu amado/a, ou o terror de deixarem de ser quem são e como são, pela existência de um outro/a que lhe pede coisas e tem expectativas.
Também estes referem que não gostam de se apaixonar porque a paixão provoca um desiquilíbrio que não compensa, vivendo de prazer em breves momentos.
Depois há ainda aqueles que se apaixonam raramente e que, mais raramente ainda, se questionam sobre o sentido das coisas. Como se a paixão fosse uma inevitabilidade, como ter sarampo na infância. Normalmente, estes têm dificuldade em acreditar que as paixões não acontecem por acaso, mas antes surgem e ganham corpo em momentos precisos da vida.

A paixão depende do nosso estado de espírito. Porque "ninguém se apaixona quando já está apaixonado, e também porque na paixão conta pouco quem o outro é"; de facto, dá pra perceber que o enamoramento tem, antes de mais, ver com nós próprios. Apaixonamo-nos quando estamos preparados para isso, quando temos o coração "limpo", quando estamos afectivamente disponíveis, quando encontramos um objecto ou um sujeito que nos "enche as medidas".

Quando nos apaixonamos e surge a tal energia cinética, achamos que o movimento dessa força é sempre em direcção ao objecto desejável, o que é mentira. A maioria das vezes nem é assim! Às vezes o objecto da nossa paixão é uma mera referência, distante e intocável, mas que serve, ainda assim, para nos excedermos a nós mesmos, para nos esforçarmos a ser mais parecidos com o que aspiramos ser.

Como estratégia de mudança, pode parecer complicado, mas lá que é eficaz, não duvidem!!