sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O meu amor

O meu amor
é um tudo espremido em nada. É pouco mas um pouco de tudo, é muito mas insuficiente.
O meu amor
é magro e alto mas forte, é feio mas encantador, de nariz demasiado comprido e de traços angulosos.



O meu amor
tem faces ruborizadas pela timidez que escondem uma palidez indesejada.
O meu amor
é leite... eu sou chocolate!

O meu amor
é cinema, é música, é história de encantar.
O meu amor
é de poucas falas mas de boa conversa, é meigo mas delicadamente bruto, é praia, é mar e dias de sol.

O meu amor é culto, é esperto mas demasiado distraído para perceber quanto o amo.


O meu amor
não me manda mil flores, talha a mais bela do jardim do vizinho mas diz-me que a plantou propositadamente pra mim.
O meu amor
não me manda mil cartas mas dita-mas no silêncio possível entre duas pessoas que se amam.

O meu amor
não me dá mil prendas mas tem sempre uma surpresa (nem que seja um caramelo ou um pacote de açúcar da Nicola).
O meu amor
não me telefona a todas as horas, nem me escreve telegramas de cinco páginas, mas não vai dormir sem me desejar uma "boa noite" ou sem dizer o quanto me ama.



O meu amor
não me diz o quanto sofre por não me ver (quando fisicamente separados) mas fá-lo pressupor na ausência de palavras, no tom de voz, nas palavras de duplo sentido.
O meu amor mima-me!
E pra que serve o amor se não pra nos mimar?! Pra nos fazer sentir suficientemente grandes para enfrentar as mesquinhas mediocridades do dia-a-dia?!

O meu amor
ama-me, e é tudo!! E nada é mais saboroso do que o feed-back amoroso, do que um amor correspondido!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Catálogo Nana Duzz It



Pois é, já tenho outra página de blog onde faço publicidade aos meus materiais! Chama-se NANA DUZZ IT e lá podes ver um slideshow com quase todo o material que eu já fiz.







Alguns dos materiais já foram vendidos mas posso fazer idênticos (não iguais, porque gosto que os meus clientes tenham alguma exclusividade), por encomenda.






O meu material também continua disponível no facebook, onde o descrevo. Se quiseres mais informações contacta-me no facebook ou para o email: renatapiresneves@hotmail.com.

Beijinhos



quinta-feira, 12 de agosto de 2010

As minhas Bijus...

Visitem o meu Facebook e vejam o que por lá tenho. Não é pra me gabar mas dizem que tenho coisas giras! :)
Bjkas

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

SEGUE-ME!

(Uma história de amor que não tem nada de estranho) - José Campanari


Era uma vez uma selva onde vivia um elefante gordo e cinzento, com uma tromba comprida, duas orelhas enormes, um rabo pequenino, quatro patas curtas... um elefante com pintas lilases que nada tinha de estranho!
Todas as tardes de Primavera, o elefante sentava-se à beira do caminho das formigas para as ver passar. Pela manhã, as formigas saíam do formigueiro e, à tardinha, regressavam carregadas de coisas que encontravam por aqui e por ali. As formigas eram escuras, tinham um par de antenas, três pares de patas... caminhavam ao mesmo ritmo, umas atrás das outras: pareciam todas iguais! Mas de tanto observá-las, numa tarde de muito calor, o elefante descobriu uma formiga negra com cintura de vespa que o deixou pasmado. Desde então ia só pra vê-la.

Quando o Verão estava quase a terminar o elefante deu-se conta que não voltaria a ver a formiga até ao Inverno passar. Então vestiu um fato aos quadrados com um casaco de botões, e sentou-se à espera da formiga negra para lhe declarar o seu amor (o fato ficava-lhe apertado porque tinha engordado, mas não se importava com isso). A formiga, que já tinha notado os olhares do elefante, transportava uma folha que dizia: SEGUE-ME!

O elefante, nem lento nem preguiçoso (porque estava contente), seguiu-a.

A formiga caminhava, o elefante caminhava... E, anda que anda, chegaram à porta de um formigueiro.

Quando todas as formigas entraram, o elefante também entrou (primeiro a tromba, a seguir o resto do corpo)... e caiu mesmo no meio do formigueiro (por sorte, as formigas já estavam todas nos seus quartos e assim não esmagou nenhuma). O elefante olhou para as portas mas eram todas iguais. Então, como se fosse um tapete, viu uma folha que dizia:

SEGUE-ME...
SEGUE-M...
SEGUE...
SEG...
SE...
S...


E a folha desapareceu por debaixo da porta!

Sem pensar duas vezes, o elefante abriu a porta e viu... um caminho longo (com o horizonte ao fundo), contornado por árvores. E mesmo no meio do caminho, estava uma formiga negra com uma folha, que dizia: SEGUE-ME!

O elefante, nem lento nem preguiçoso (porque estava muito contente), seguiu-a.

A formiga caminhava, o elefante caminhava...

De súbito, um botão do casaco do elefante saltou pelo ares. Nem lento nem preguiçoso (porque era o botão que lhe tapava o umbigo), procurou debaixo das pedras, os ramos das árvores... Cansado de procurar e procurar, voltou ao caminho para reencontrar a formiga. Olhou à direita, à esquerda, em frente, atrás... e percebeu que ela já não estava ali.

Lento e preguiçoso (porque estava um bocadinho triste), continuou a andar, fixando o chão.

De repente a tromba encalhou em algo que estava debaixo de uma árvore... Um cesto de costura! Sem pensar duas vezes, o elefante levantou a tampa e viu agulhas, linhas, tesoura, dedal... e, mesmo no meio de tudo, um botão que se movia em direcção ao fundo do cesto. Em vez de buracos, o botão tinha um letreiro que dizia: SEGUE-ME!

Com o seu fato de três botões, o elefante entrou no cesto (primeiro a tromba, depois o resto do corpo).
Nem lento nem preguiçoso (com cuidado para não se enlear nas linhas nem picar-se nas agulhas), chegou ao fundo do cesto de costura e encontrou...

um caminho longo (com o horizonte ao fundo), contornado por árvores de carrinhos de linha... e, mesmo no meio do caminho, uma formiga com um botão que dizia: SEGUE-ME!



A formiga caminhava, o elefante caminhava...

Pouco depois, o elefante, que tinha muita sede, decidiu procurar uma fonte (não sabendo que no fundo dos cestos de costura não existem essas coisas). Cansado de procurar e procurar, regressou ao caminho para reencontrar a formiga. Olhou à direita, à esquerda, em frente, atrás... e percebeu que ela já não estava ali. O elefante continuou a andar, fixando o céu; logo, pendurada num ramo de uma árvore, encontrou... uma garrafa de água!

O elefante, nem lento nem preguiçoso (porque tinha sede), apanhou a garrafa e dentro dela viu... uma formiga negra!, com um fato de banho amarelo, óculos de mergulhar, touca, três pares de barbatanas e um letreiro que dizia: SEGUE-ME!

Sem pensar duas vezes, o elefante entrou na garrafa (primeiro a tromba, depois o resto do corpo), e começou a nadar atrás da formiga subindo a tromba, de vez em quando, para respirar.

A formiga nadava, o elefante nadava...

Como nunca tinha estado numa garrafa, o elefante distaiu-se com tudo o que passava a flutuar: um peixe-borboleta, uma borboleta-caracol, um caracol-rã... Entretanto, o elefante lembrou-se da formiga. Olhou à direita, à esquerda, em frente, atrás... e percebeu que ela já não estava ali.

Lento e preguiçoso (porque estava muito triste), mergulhou atá ao fundo da garrafa e sentou-se numa rocha.

Então aproximou-se um caracol marinho. Apanhou-o e encostou-o à orelha... Do fundo daquele caracol, não chegava o som do mar, mas uma voz distante que dizia: SEGUE-ME!

O elefante, nem lento nem preguiçoso (porque estava muito apaixonado), entrou no caracol marinho (primeiro a tromba, depois o resto do corpo). E dando voltas e mais voltas, chegou até ao fundo, onde o esperava aquela formiga negra com cintura de vespa.

Desde esse dia...

no fundo de um caracol marinho,
que está no fundo de uma garrafa,
que está à beira de um caminho,
que está no fundo de um cesto de costura,
que está no quarto de uma formiga,
que está num formigueiro no meio da selva...

...uma formiga negra e um elefante cinzento vivem uma história de amor (com cintura de vespa e pintas lilases) q nada tem de estranho!



(Toda esta história, pra dizer que: por mais inconsequente, impossível e anatomicamente inadequado que seja um amor; por mais difícil que seja seguir a pessoa amada aos sítios mais impensáveis ou transpor os limites que esse amor impõe aos "amados"; há realmente amores que valem a pena!)

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Infância desprevenida.

Já há muito tempo que a minha infância desprevenida, tão cheia de truques e partidas, partiu... E que saudades tenho dela!
Se não foram tempos fáceis foram com certeza os mais fáceis da minha vida, de tão saborosos e de tão variados que foram, de tão irresponsáveis e livres.

Senti dores e esfolei joelhos, tive desgostos, tive aventuras constantemente vividas em perigos indefensáveis, tive de “lutar” para vencer medos... Mas não será assim até morrer??

Infância, onde estás? Tenho saudades tuas...

Como era tudo tão belo, tão inconsequente! Apesar de ter nascido e crescido na cidade, a liberdade era quase total. Em férias, havia horários pra se fazer os trabalhos de casa (de manhã) e horários pra se sair de casa (logo a seguir ao almoço), mas o horário de regresso só chegava com o barulho da barriga a “dar horas”, ou com um chamamento mais audível para vir jantar (já de noite). E muitas vezes havia uma saída “past-dinner” que só me fazia regressar quando apenas o cansaço me fazia mover os pés, em direcção à cama (por volta das 23h). Brincava-se na rua com os vizinhos, no tempo em que ainda se conheciam os vizinhos do mesmo prédio e do mesmo bairro.

Infância onde estás? Tenho saudades tuas...

Nada mais nos era exigido para além de brincar e fazer os trabalhos de casa. Não havia obrigações. Só comer e dormir. E como eu dormia, meu Deus!! Que gozo me dava! Fazendo alguma retrospecção e analisando os dias de hoje, consigo perceber que ando agora a descontar o tempo a mais que dormi.

Infância onde estás? Tenho saudades tuas...

Foram realmente brilhantes esses tempos da minha infância desprevenida. Comparando com hoje, talvez tenha sido uma Rainha-Dona-Amélia ou uma Cleópatra. Fui com certeza a mais feliz das princesas à procura do seu “príncipe encantado”, uma doce Heidi, uma guerreira Shera. Talvez pertencesse até ao grupinho do Piranha, dos risonhos tempos do “Verão Azul”. Talvez tenha aprendido quase tudo com o “era uma vez...no espaço” ou com o “era uma vez... no corpo humano”. Certezas? Só uma... a de que fui realmente uma criança feliz!

Infância onde estás? Tenho saudades tuas...

(Não vou desistir de te procurar, pois talvez te possa encontrar ainda dentro de mim mesma.)